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Como precificar peças impressas em 3D para venda

Published on May 29, 2026

A pergunta que mais aparece em grupos de impressão 3D no Brasil é uma só: quanto cobrar por uma peça? A resposta curta — "filamento × 3" — está errada e provavelmente é o motivo pelo qual você está trabalhando de graça sem perceber.

Este guia passa por cada componente do custo real e mostra como chegar num preço que cubra suas despesas e ainda deixe lucro.

1. Custo do filamento

O óbvio. Pegue o peso da peça em gramas (o slicer mostra) e multiplique pelo preço do quilo dividido por 1000:

custo do filamento = peso (g) × (preço do kg / 1000)

Exemplo: uma peça de 50 g em PLA a R$ 100/kg = R$ 5,00 só de matéria-prima.

Atenção: o preço do filamento varia muito por moeda, marca e estado. PETG e ABS são tipicamente 20–30% mais caros que PLA. Se você compra em dólar, considere a cotação do dia — flutuação cambial come margem rápido.

2. Energia elétrica

A impressora consome eletricidade durante todo o tempo da impressão. A conta:

custo de energia = tempo (h) × potência (kW) × preço do kWh

A potência da maioria das impressoras FDM fica entre 100 W e 200 W em média de impressão (não confunda com o pico, que é maior). O preço do kWh residencial no Brasil varia de R$ 0,64 (Paraná, Roraima) até R$ 0,98 (Pará) — quase 50% de diferença entre estados. Use o valor da SUA conta de luz, não uma média nacional.

Para uma impressão de 6 horas numa Ender 3 (150 W) em São Paulo (R$ 0,73/kWh): 6 × 0,15 × 0,73 ≈ R$ 0,66. Parece pouco, mas em produção mensal de 200 horas vira R$ 22 só de energia.

3. Amortização da impressora

Sua impressora não dura pra sempre. Cada hora de uso "consome" uma fração do valor que você pagou nela. A fórmula:

amortização = (valor da impressora / vida útil em horas) × tempo da impressão

Vida útil sugerida por modelo:

Exemplo: Bambu A1 de R$ 3.500 com 20.000 h de vida útil, impressão de 6 h → (3500 / 20000) × 6 = R$ 1,05. É menos do que a maioria das pessoas pensa, mas em produção alta soma.

4. Falhas (não pule isso)

Toda produção tem perdas: warping, descolamento, atolamento, erro de slice. Profissionais bem ajustados ficam em 2–5%. Hobbyistas em produção real ficam em 8–15%.

Some um percentual de falhas em cima do subtotal de custos (filamento + energia + amortização). Sem isso, sua margem real é menor do que parece — você acaba pagando o material e o tempo das peças que foram pro lixo do seu bolso.

5. Custos fixos do ateliê

Aluguel, internet, manutenção, conta de água. Se você tem um espaço dedicado, esses custos existem mesmo nos meses em que você imprime pouco. Divida o total mensal pelo número médio de peças que você produz por mês:

custo fixo por peça = (despesas mensais / unidades por mês)

Se você ainda não vende ou só faz pra hobby, deixe esse campo em zero.

6. Acessórios e embalagem

Caixa, etiqueta, ímã, parafuso — qualquer item extra incluído com a peça. Não esqueça da fita adesiva, plástico bolha e do frete se você cobra junto. Esses custos somam rápido em volume.

7. Markup: a parte onde você ganha dinheiro

Markup é o multiplicador que transforma seu custo em preço de venda. Para impressão 3D, os valores mais comuns em mercado:

  • 2× a 2,5× — competitivo, comum em marketplaces saturados
  • 3× a 4× — saudável, dá margem pra promoções e devoluções
  • 5×+ — produto único, escassez ou alto valor agregado (modelo customizado, peça funcional crítica)

Aplicar markup 3× num custo de R$ 10 gera preço de venda R$ 30, dos quais R$ 20 são lucro bruto. Lucro bruto não é lucro líquido: ainda falta abater impostos e taxas.

8. Impostos e taxas do marketplace

Se você vende no Mercado Livre, Shopee, Etsy ou similar, a plataforma cobra comissão (10–20%) + frete grátis (que sai do seu bolso) + imposto se você emite NF. Esses descontos saem do PREÇO DE VENDA, não do seu custo.

Tem duas formas de tratar:

  1. Incluir no preço (recomendado pra marketplace): inflar o preço de modo que, após a plataforma descontar, sobre seu custo + markup. Cálculo reverso: preço = subtotal / (1 - taxa% - imposto%).
  2. Adicionar por fora (venda direta com nota fiscal no nome do comprador): preço base × (1 + taxa% + imposto%). O cliente paga mais.

A maior parte das vezes você quer a opção 1. Caso contrário sua margem fica menor do que você planejou.

Juntando tudo

Custo total por peça = filamento + energia + amortização + (subtotal × % falhas) + fixo/peça + acessórios

Preço de venda = (custo total × markup) / (1 - taxa marketplace - imposto)

Lucro líquido = preço de venda - custo total - taxas - impostos

Faça a conta sem planilha

A PrintCalc faz exatamente esse cálculo. Você preenche peso, tempo, custo do filamento, escolhe sua impressora, configura markup e impostos, e ela mostra o preço de venda + lucro bruto e líquido. Tem upload de G-code que preenche peso e tempo automaticamente, e o custo do kWh você pode estimar pelo seu CEP. Grátis, sem cadastro.

Abrir a calculadora →